segunda-feira, 9 de julho de 2012
sábado, 7 de julho de 2012
GENEROSIDADE
O britânico John Elkington estabeleceu, no
que chamou de tripla linha básica, o que deve ser feito para buscar a
sustentabilidade: ser ambientalmente correto, ser socialmente justo e ser
economicamente viável.
Há um quarto elemento, porém, para que a sustentabilidade
seja atingida: a generosidade.
A generosidade é a qualidade do que é
generoso, pródigo, do que perdoa facilmente, do que é nobre, leal; a virtude de
quem acrescenta algo ao próximo. Generosas são as pessoas que se sentem bem em
dividir algo com mais pessoas.
Uma senhora idosa estava varrendo a calçada
junto a um terreno baldio, próximo onde ela morava. Uma amiga, ao passar,
comentou: Não precisa varrer esta calçada, ela não é sua, ao que a senhora contraditou:
- mas eu sempre passo por aqui.
A generosidade é o traço da personalidade de
pessoas que trouxeram benefícios universais e definitivos para a humanidade,
como Mahatma Ghandi, Buda, Jesus Cristo, Nelson Mandela, Martin Luther King,
Madre Teresa de Calcutá e outros.
No livro “Princípios da Filosofia”, René
Descartes cita a generosidade como “uma despertadora do real valor do Eu” e ao
mesmo tempo uma mediadora para que a “vontade se disponha a aceitar o concurso
do entendimento”.
A generosidade é, portanto, uma qualidade de
quem coloca os interesses de terceiros no mesmo plano de seus interesses
pessoais, para resolver um problema que atinge a todos. É também a qualidade de
quem busca o entendimento.
No campo do Direito, essas ideias são chamadas
de “direitos difusos” (aqueles que são do interesse do conjunto da sociedade).
A generosidade sendo, portanto, princípio de
sustentabilidade, reforça os outros três.
No contexto da generosidade corporativa, pode-se
pensar na seguinte imagem: importante é conhecer não só a nascente do rio, mas
todo o seu trajeto até a foz e mais além, para que não se percam os peixes.
No mundo corporativo, essas ideias começam a
tomar força, porque a luta por um mundo sustentável, além de ser exigência para
a sobrevivência de todos (uma das características da generosidade), também
melhora a imagem da empresa junto a seu público.
Fonte:
Jornal Bem Estar – julho 2012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
O
QUE A INDÚSTRIA BRASILEIRA TEM FEITO PELA SUSTENTABILIDADE
SETOR AUTOMOTIVO – Um automóvel fabricado
hoje emite 28 vezes menos poluentes que um veículo produzido há 30 anos. O etanol, que não
contribui para o aquecimento global, começa a ser usado em motos e aviões. Em três anos, o volume de
água usado na produção de cada carro caiu de 5,5 para 3,9 m³.
ELÉTRICO E ELETRÔNICO – Cerca de 3.800 modelos de equipamentos de 206 fabricantes já receberam o selo procel, de eficiência energética. Também há investimentos nas fábricas. As turbinas hidrelétricas são 15% mais eficientes do que há dez anos.
QUÍMICO – as emissões de gases causadores do efeito estufa caíram 47% em dez anos.
O consumo de água por tonelada de produto diminuiu 34%. A taxa de reciclagem do
material descartado passou de menos de 5% em 2001 para uma média próxima de a
30% em 2010.
ALUMÍNIO – Hoje, 97% das embalagens são recicladas, um dos mais altos
índices do mundo. O Brasil é líder de aproveitamento de latas para bebidas. A
Inbra Metais foi a primeira empresa de reciclagem de alumínio a zerar suas
emissões de carbono, comprando créditos de outras indústrias.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS – 90% das empresas do setor têm políticas para minimizar
o impacto no ambiente e 60% das grandes tem certificação ambiental ISO 14.001.
A associação do setor criou, em 2009, o projeto Carbono Zero, que incentiva
medias para reduzir as emissões de gases que alterem o clima.
CONSTRUÇÃO – Há alguns projetos para aumentar a eficiência das construções. Uma das
técnicas mais promissoras envolve substituir as paredes comuns por estruturas
de aço revestidas com gesso. São mais leves e permitem redução no consumo como
materiais como cimento e brita.
ELÉTRICO – O Brasil produz 90% de sua eletricidade a partir de fontes
renováveis, acima da média mundial de 18%. As empresas investem em fontes alternativas,
como a geração de energia a partir de gás de dejetos orgânicos da criação de suínos.
FLORESTAL – Algumas empresas produzem sem desmatar A Guavirá, em Mato Grosso,
maneja a mata nativa de forma sustentável. Retira entre 5 a 10 árvores por
hectare. Só retorna à mesma área após 25 ou 30 anos, período suficiente para o
crescimento de novas árvores.
CELULOSE E PAPEL – A madeira para produção de celulose e papel vem de florestas plantadas.
São 2,2 milhões de hectares de pelos e eucalipto, mesclados com 2,9 milhões de hectares
de florestas nativas preservadas. Para gerar energia, as empresas 85% de
biomassa, que não contribui para o aquecimento global.
CIMENTO – As empresas usam resíduos de outras indústrias, como pneus velhos, na
produção de energia para os fornos. São 672.000 toneladas que viram substitutos
de matéria prima.
ALIMENTOS – De 198 projetos de crédito de carbono no Brasil, inscritos até
novembro de 2011, 85 eram das empresas de alimentação. Até 2020, esses projetos terão evitado a
emissão de 34,8 milhões de toneladas de gás carbônico, o equivalente a
replantar o cerrado em metade da área do Distrito Federal.
AÇO – As indústrias de aço se comprometeram com o Ministério do Meio
Ambiente a atingir, em até quatro anos, 100% de florestas plantadas para
atender sua demanda de carvão vegetal. Com isso, eliminará o consumo de carvão
de desmatamento.
SUCROENERGÉTICO – As usinas usam o próprio bagaço da cana-de-açúcar para gerar energia
limpa para seu funcionamento e ainda vendem para a rede elétrica. Nos
canaviais, os fertilizantes industrializados são substituídos por adubos
minerais, reduzindo as emissões de gases causadores do efeito estufa.
TÊXTIL – Algumas empresas conseguiram reduzir o descarte de materiais usando
uma nova tecnologia. Uma máquina chamada desfibriladeira faz os retalhos de tecido
voltar a ser fibras de algodão, a matéria prima original. A indústria tenta
reduzir o consumo de água e de defensivos agrícolas.
MINERAÇÃO – O setor está se esforçando para aumentar a eficiência energética. Uma
das alternativas usadas pelas empresas que lavram minério de ferro é
transportar o material por dutos até as regiões portuárias. Isso reduz a
necessidade de caminhões nas estradas, diminuindo o consumo de combustíveis
fósseis.
Petróleo e Gás – O setor tem adotado medidas para reduzir as emissões de gases
causadores do efeito estufa na produção de petróleo e gás natural, e no refino.
Uma delas é construir refinarias novas que produzem o diesel com o petroquímico.
Fonte: revista Época 16 de junho de 2012
segunda-feira, 2 de julho de 2012
A VIOLÊNCIA COMO
OBJETIVO POLÍTICO
Em O Príncipe IX: “[...] porque em toda cidade
Existem estes dois humores
diversos que nascem disso:
O povo deseja não ser comandado
nem oprimido pelos grandes,
E os grandes desejam comandar
E oprimir o povo”. Nos Discursos I,4 :
“E sem dúvida, se considerarmos o objetivo dos nobres e dos
plebeus [nobili e degli ignobili],
Veremos naqueles grande desejo de dominar e nestes somente o
Desejo de não ser dominados e, por conseguinte,
Maior vontade de viver livres [“...]”. Finalmente, na
História de Florença III, 1:
“As graves e naturais inimizades
que há entre os homens do povo e os
nobres, causadas pela vontade que estes têm de
comandar e aqueles de não obedecer [“...]”.
Maquiavel
Quando estudei história da arte,
fiquei chocado com uma gravura que vi, na antiga Babilônia. Nela, o imperador
Nabucodonosor, pessoalmente, cegava metodicamente os inimigos derrotados, com
um estilete. No mesmo país, muito tempo depois, Saddam Hussein bombardeou, com
gás mostarda, a população de origem curda de um povoado ao norte do Iraque,
matando todos seus habitantes, mulheres e crianças inclusive.
Na segunda
metade do século passado, por questões aparentemente étnicas, houve um dos mais
trágicos genocídios de um país africano, quando, em Ruanda, mais ou menos oitocentas
mil pessoas foram assassinadas.
Atualmente, em Darfur, no Sudão, novo genocídio, comandado por milícias
árabes, com violência sexual feita de maneira metódica e institucionalizada.
Na chamada
guerra do Kosovo, forças armadas sérvias da Iugoslávia trucidaram cidadãos separatistas
albaneses, de origem bósnia, muçulmanos majoritariamente, assunto que provocou
repúdio do mundo civilizado e levou à justiça internacional o presidente
Slobodan Milosevic.
Durante o
nazi-fascismo, milhões de judeus, ciganos e outras minorias foram assassinados
friamente, com método, pelas forças armadas alemãs, em nome de uma monstruosa
faxina étnica.
O genocídio
e outros eventos de matança sistemática são tão horrendos e abomináveis que nos
recusamos a admitir que sejam efeito de uma política de extermínio.
Infelizmente, são.
Carl von Clausewitz escreveu que 'a guerra é a
continuação da política por outros meios'. Podemos dizer que o massacre de
populações também é. Tivemos um exemplo recente dessa tese na chamada Guerra
das Malvinas (Falklands) em que a ditadura argentina, já decadente, tenta
prorrogar-se com a agressão a uma propriedade estrangeira, no caso, inglesa. O
fim da guerra, que provocou muitas mortes de soldados argentinos, também levou
à derrocada da ditadura.
As ditaduras latinas americanas são um exemplo como o
poder político pode, também, praticar violência contra a população civil de seu
próprio país.
O desenvolvimento das nações e estabilidade das
instituições democráticas tem sido o único antídoto para a violência de
governos. Hoje não vemos democracias atacar democracias. Os Estados Unidos,
país intervencionista, não arrisca fazer invasões em democracias, embora, no
passado, já tenha feito isso.
Violência contra o próprio povo, como a realizada na
China, também não prospera em regimes democráticos.
O Brasil tem um congresso formado por muitos criminosos,
que distorcem sua finalidade. Ele foi formatado durante a ditadura
militar, para dar poder ao executivo. Mesmo assim, devemos proteger nossas
instituições, por mais defeituosas que pareçam. A alternativa autoritária é
sempre a pior solução.
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