quarta-feira, 26 de novembro de 2014




coisas que intrigam

SE NÃO EXISTE NADA MAIS CERTO DO QUE A MORTE, PORQUE TANTA GENTE TRATA A MORTE COMO EXCEPCIONALIDADE?


segunda-feira, 24 de novembro de 2014






CRENDICES

Uma vez, resolvi defender a existência de Deus para meu analista, em plena sessão. Ele disse que minhas crendices não tinham espaço no tratamento. Fiquei muito ofendido. Ora, tratar meus sentimentos mais transcedentais como "crendices". Ele comparava-me com um adorador de religião africana, um praticante de saravá.

Nãe esqueco a cena e, agora, muitos anos depois, vejo como fui idiota e preconceituoso. Meu terapeuta estava certo, como sempre esteve certo em tudo que disse. Eu não tinha maturidade para entender certas coisas.

Crendice é aquilo que se crê. A crendice é a estrutura básica de tudo que é religião, da católica, à protestante, à muçulmana, espírita, etc. Também é a essência da ideologia. Dito assim, parece simplificação mas é  assim mesmo. Podemos substituir a palavra crendice ou crença por magia. É tudo a mesma coisa. Já li que o ato da oferenda, na missa católica, é ritual de magia branca. Pode ser.

A visão religiosa permeia grande parte de nossa vida. No Face, postaram que um copo d'água antes de dormir evita AVC. Esta é uma interpretação religiosa, tão religiosa como aquela que pede para curtir a imagem de Nossa Senhora. Isso também vale para muito posicionamento político.

Vejam bem, não sou contra religião, como não sou contra a política. Essa são uma posturas individuais e deve ser respeitadas, mas penso que essas coisas precisam ser tratadas friamente, baseadas em em experimentação científica. Precisamos ter consciência disso para evitar muito sofrimento.

Se houvesse essa consciência em nível mundial não teríamos hoje o genocídio de cristãos por muçulmanos radicais. Afinal ambas as religiões tem o mesmo princípio,   dependem da fé para existir.

domingo, 23 de novembro de 2014





BONS TEMPOS, HEIN?

Os anos setenta foram o máximo para quem queria ganhar dinheiro. O país estava encharcado de empréstimos dos árabes. Eles resolveram cobrar pelo petróleo e ficaram riquíssimos. As obras pipocavam em toda  a parte. Como não  havia uma  estrutura jurídica de verdade no Brasil (estávamos sob a égide do AI-5) quem quisesse ganhar dinheiro com obras públicas estava  feito.

O esquema funcionava assim: o cargos chaves do governo eram ocupados por oficiais de  alta  patente. Esses militares tinham limitado  seu orçamento familiar, porque havia um viés moralista nos altos  escalões  do governo. Então as grandes empreiteiras (e até as pequenas) mandavam convite para o general ou coronel, que cuidava do dinheiro público, para grandes festanças, em locais chiques.

Essas festas, mesmo para quem tinha convite, eram caras. Exigiam roupas, sapatos, cabelereiros e mesmo automóveis melhores. Logo, o militar, pressionado pelos  novo status da família, estava enforcado financeiramente. Era aí que entrava o representante da empresa, o doleiro da época.

Trabalhei, como arquiteto, em uma organização federal. Logo ao chegar, me mandaram receber uma obra bem grande. O empreiteiro, muito simpático, me acompanhou. Disse que  era filho de um general muito influente no governo militar, ou "revolução" como era chamada. Falou que tinha se formado em engenharia  metalúrgica, mas viu que  se ganhava dinheiro com obras públicas.

Montou uma empreiteira, cuja organização espacial era uma  pasta zero zero sete. O telefone da empresa era o do  açougueiro vizinho. Logo ganhou uma obra enorme.

Chegamos ao local. O prédio construído era um monstrengo, era impossível enumerar o que estava certo, tal era a tortura das paredes e o mau acabamento de pisos,  esquadrias, etc.

Verifiquei que para receber a obra corretamente, ela teria que  ser posta abaixo, o que era  inviável, tendo em vista que já tinham sido aprovadas as etapas anteriores. Senti a maldade de meus colegas. Lembrei, também, a importante informação  de que o pai era general, destacado membro do governo. Recebi a obra sem nenhuma restrição. Era uma escola e, mais  tarde, seu diretor faria pesadas queixas da qualidade do prédio.

O empreiteiro, jovem como eu, ficou muito agradecido e como amigo, acompanhei sua meteórica  carreira. Em pouco tempo, seus prédios foram ficando  razoáveis. Ele comprou uma  mansão na  zona sul e  uma  mercedes prateada.

Contou-me, uma ocasião que, acidentalmente, ouviu um telefonema de um membro do  sindicato da construção civil em se  combinava o superfaturamente de uma obra, com a licitação arranjada. Ficou sabendo do menor valor e, espertamente, entrou no certame com um preço um pouquinho menor, ganhando a licitação. Seus colegas ficaram furiosos com ele, mas, como era  filho do general, ficou por isso mesmo.

Os membros da organização em que atuava, senhores respeitáveis, a primeira coisa que faziam ao  receber o cargo, era colocar sua amante no mesmo emprego, para controlá-la e  para que fosse paga com o meu, o seu, imposto. Houve um presidente da organização que não  satisfeito de colocar duas  amantes,  empregou marido de uma delas, que era açougueiro. Foi o caso, exemplar, de um corno remunerado.

Como a inflação era alta, todos que podiam, guardavam seu dinheiro no over night, que era uma maneira de ganhar dinheiro com a inflação. Pois esses senhores respeitáveis desviavam enormes quantias  do governo para suas contas pessoais e faturavam no over night até o pagamento da  fatura.

Poderia denunciar a roubalheira, mas para quem? Não havia justiça, a imprensa era amordaçada. O resultado de uma denúncia seria a perda do emprego, com sorte. Sem sorte, o resultado poderia ser bem pior.

Esqueci de contar o que houve  com meu amigo empreiteiro. Reunia os amigos em uma mesa de bar para contar suas conquistas amorosas. Um dia, ao chegar em casa, pegou a esposa com um amante, na cama do casal. Vendeu tudo, menos  a mercedes e transferiu-se para a Bahia. Soube que fez o maior sucesso lá.

Hoje, vejo que aquele pessoal era mero aprendiz de feiticeiro.



BOSSA NOVA

Assisti, no youtube, algumas interpretações  de Márcio Faraco. São músicas lindas, muito românticas. Soube que seu parceiro é o também alegretense, Paulo Berquó Farias. 


Márcio Faraco mora na França e faz o maior sucesso lá. Seu forte é a bossa nova. 


Aliás, a bossa nova, o movimento musical mais importante do Brasil, é sucesso nos Estados Unidos, na Europa e até no oriente. Constantemente surgem novas melodias e novos arranjos de melodias clássicas, como as  de Tom Jobim, Vinícius e Carlos Lira. 


Quer ouvir bossa nova? Viaje. Aqui no Brasil ela não existe.

domingo, 19 de outubro de 2014




Ibirapuitã, um rio privatizado?


         Viajei a Alegrete por uns dias. Aproveitei para matar a saudade do rio Ibirapuitã, mais especificamente do trecho em que chamávamos de “Perau”, onde aprendi a nadar e também aprendi muitas coisas da vida.


         Visitei, então, o Perau. A primeira decepção, normal, ele era menor do que estava registrado em minha memória. Claro, cresci, o mundo muda suas proporções. A segunda, me deixou chateado. O Perau, abandonado, virou depósito de lixo a céu aberto. A terceira me deixou revoltado. As margens do Perau estão cercadas. Que  é isso?




O rio Ibirapuitã, um patrimônio da comunidade, está cercado, permitindo o acesso somente a alguns privilegiados.

         Lembrei-me, imediatamente, de alguns  rios que banham cidades conhecidas, como o Sena, em Paris, O Tâmisa, em Londres, o Tibre, em Roma, o Reno, na Alemanha. Todos são cartões postais, orgulho para seus habitantes. O rio Ibirapuitã fez o caminho inverso. Tornou-se vergonha para os habitantes de Alegrete e está sendo escondido, cercado.

         Bem, o rio poderia estar cercado apenas no Perau, que já seria uma pena. Segui, a pé, até um centro recreativo do Município. Alí, certamente, poderia apreciar a beleza e a elegância de meu rio. Aquele centro, abandonado, também, apenas com algumas crianças esforçando-se, com diligência, para destruir um prédio público, levava, também, a uma cerca.









Que tristeza. A administração pública faz uma avenida sem calçadas, esquecendo-se de seus pedestres, cadeirantes e ciclistas, com um centro recreativo que esnoba o que o local tem mais belo, o rio. Repito, que tristeza. A cidade não merece isto.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014




MUTANTES

           
Tem gente que parece ter nascida fora de época. Eles estariam bem centenas ou milhares de anos adiante.

Modestamente, eu tenho faro para identificá-los. Não que pertença à espécie, longe disso, mas os conheço quando vejo um. É pelo olhar penetrante, é pelo humor ferino, pela maneira antípoda de proceder. Sobretudo, pelo jeito doce no tratamento.

Alguns são ou foram famosos, como Albert Einstein, Steve Jobs, John Lennon ou Keith Richards. Alguns, famosos e mártires, como Jesus Cristo, Ghandi e Martin Luther King.

Outros, a maioria, leva a vida aos tropeções, ao conviverem com uma sociedade que, efetivamente, não os entende. Cito um deles, meu amigo, cujo mente era tão rápida que falava gaguejando, como se a língua não conseguisse acompanhar seu raciocínio. Dizia: - Sou Gago, mas não sou gago de nascença, só comecei a gaguejar quando comecei a falar.

Esses aparentemente não são adequados para a vida, essa vida. Diria eu que a vida não é adequada para eles. De uma maneira poética, costumam morrer de infarto do miocárdio.

Posso dizer que essas pessoas são mutantes, elas vislumbraram outro mundo, mais moderno, mais justo. Infelizmente, o mundo não as reconhece, como eu as reconheço.

Alegrete, por essas brincadeiras do destino, tem ou teve vários desses mutantes. Não é a toa que a cidade sediou, há algum tempo, um congresso de Ufos. Alguns desses mutantes estão vivos, outros não.

Um deles, neste momento, nos deixou. Seu nome é Fernando Machado Silveira Neto. Deve estar chegando à sua pátria, muito distante daqui.