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terça-feira, 24 de setembro de 2013



PERDEMOS
           
A aceitação dos embargos infringentes, pelo STF, foi a pá de cal na justiça brasileira. Nada contra os réus da AP 470. Eles estão lutando por sua absolvição. A nova instância gerada pelo Supremo, que, por definição, deveria ser a última, fez a felicidade de todos os corruptos e malfeitores que aguardam julgamento naquele tribunal.

            Eles são 535. Existem réus de todos os quilates aguardando julgamento no STF. Só para citar exemplos exemplares, o processo de Paulo Maluf aguarda julgamento há doze anos. Fernando Collor de Melo também está nessa fila há longos anos. O chamado mensalão mineiro, mais antigo que a AP 470, também está lá, aguardando julgamento.

            O Supremo Tribunal Federal foi criado para legislar sobre questões constitucionais. Quando foi instituído, não era para ser uma vara de execuções penais. Não se imaginava que o acesso delituoso ao bem público viraria rotina na política brasileira. O STF não possui estrutura para tanto julgamento.

            Nossos corruptos homens públicos sabem disso. Quando subtraem dinheiro do povo, já subtraem uma parte para o pagamento de excelentes advogados que os irão defender e procrastinar. Dizem que alguns dos réus, ora acusados, vivem modestamente. Pode ser. Entretanto, seus advogados recebem, para defendê-los, quantias que se contam em milhões de reais.

            Ora, dessa maneira, o destino dos processos de todos os 535 acusados é o do arquivo, por prescrição.

            A aceitação dos embargos infringentes definiu, definitivamente, uma fronteira. A justiça para o pobre é uma, para o rico é outra.


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