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sábado, 30 de março de 2013





sexta-feira, 29 de março de 2013




          
              Reza a lenda que, para conquistar uma mulher são necessários:

1.     Cartão de crédito
2.     Considerável saldo bancário
3.     Carro de luxo
4.     Restaurante fino e caro
5.     Ter ótima aparência (barriga tanquinho)
6.     Imóvel próprio, bem decorado, em bairro classe A
7.     Elegância no vestir
8.     Boa pegada na hora do sexo, com determinação e firmeza
9.     Forte componente feminino, para entender a fêmea na hora das confidências

Etc., etc., etc..

            Já para conquistar um homem basta apresentar-se com uma latinha de cerveja e ingresso para o jogo de futebol.

            As mulheres estão ficando cada vez mais exigentes, desde que alcançaram independência financeira. Também estão mais queixosas. Queixam-se de que, quando saem à noite, deparam-se com sapos, em vez de príncipes, quando não com trogloditas.

            Acontece que a revolução sexual ocorrida na segunda metade do século XX foi realizada pelas mulheres. Elas foram agentes de toda aquela mudança de comportamento. Os homens, talvez por serem a classe dominante, talvez por incompetência, talvez por preguiça, não participaram da revolução sexual. Eles vieram a reboque.

            E, agora, elas estão reclamando. Têm razão. Mas como o novo sexo forte, elas poderiam ajudar os homens. Uma das atitudes relevantes seria ter humildade e tentar ajudá-los, educando-os. Isso não é difícil, basta usar o instinto maternal.

            Mãos à obra, meninas. É a vez de vocês.

            




as mulheres conquistam também a América

Quando cheguei a Nova York há menos de um mês, comemorava-se o Dia Internacional da Mulher. Coincidência ou não, nestas minhas três semanas por aqui, elas não saem das primeiras páginas de jornais. Mulheres que já fizeram história ou estão em vias de marcar época.

Logo nos meus primeiros dias em solo americano, um único rosto estampava capas de revista, sites e programas de televisão: a toda-poderosa Sheryl Sandberg, COO (ou Diretora de Operações) do Facebook. Eleita pela "Forbes" a 10ª mulher mais poderosa do planeta e disposta a inspirar outras mulheres a trilhar o mesmo caminho do sucesso, ela lançou no início do mês o livro “Lean In: Women, Work and the Will to Lead” (que no Brasil sairá com o título “Faça Acontecer - Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar”). Nas mais de 200 páginas e também na sua organização sem fins lucrativos de mesmo nome do livro, Sheryl convoca as mulheres a “lean in” (inclinar-se), isto é, tomarem para a si as rédeas de suas carreiras e serem heroínas da sua própria história.

A nº 2 do Facebook destaca que, apesar dos avanços com a revolução feminista, a igualdade de gênero no mercado de trabalho ainda está muito longe da realidade e cabe às mulheres não se conformarem com o preconceito de muitas empresas, deixarem de lado o papel de vítimas, vencerem as inseguranças e conquistarem seu espaço. Segundo Sheryl, algumas dessas barreiras internas que acompanham as mulheres ao longo da vida são reforçadas na infância. Por isso, ela aproveitou uma entrevista dada ao programa “60 minutes”, da CBS, para mandar um recado às futuras gerações: “Eu quero que toda garotinha que costuma ser chamada de mandona passe a ouvir, em vez disso, que ela possui desde cedo capacidade de liderança”.

Certamente capacidade de liderança é o que não falta a Christine Quinn, a presidente da Câmara de Vereadores de Nova York que se lançou há 15 dias como candidata à prefeitura da cidade mais importante do mundo. Pesquisas mostram que, com 37%, ela é a favorita entre os Democratas para concorrer pelo partido à cadeira ocupada há três mandatos por Michael Bloomberg. Se o favoritismo de Christine se cofirmar nas urnas em novembro, os novaiorquinos terão pela primeira vez uma prefeita mulher – e gay, diga-se de passagem.

Se ainda é preciso esperar alguns meses para testemunhar o resultado das eleições na Big Apple, outra americana já foi responsável por um feito inédito esta semana. Julia Pierson acaba de ser empossada como a primeira mulher a chefiar o Serviço Secreto dos EUA – um espaço dominado 90% por homens. A agente de 53 anos, nascida na Flórida, foi escolhida por Barack Obama para comandar a agência que é responsável por sua proteção pessoal, a do vice-presidente e de suas famílias.

E mesmo o cargo mais poderoso do planeta pode ser ocupado em breve por uma mulher. Em 2016, os Estados Unidos podem eleger pela primeira vez uma presidente. Mesmo sem confirmar ainda se vai realmente entrar na disputa, Hillary Clinton – ex-secretária de Estado, ex-senadora e ex-primeira-dama – surge como favoritíssima nas pesquisas para chefiar a nação.

Caso a Sheryl Sandberg lesse este meu texto (quanta pretensão a minha!), ela poderia argumentar que ainda falta muito: apenas 22 dos 197 chefes de Estado são mulheres e apenas 21 das 500 maiores empresas mundiais têm liderança feminina. Mas não há como negar que mudanças importantes estão acontecendo e desenhando uma nova configuração nos Estados Unidos, em outras partes do mundo e até aqui em casa. Eu sempre soube que a amiga com quem divido o apartamento em Manhattan era uma profissional de comunicação extremamente bem-sucedida e uma chef talentosa. Mas o que tenho descoberto é que, além de tudo, a minha 'roommate' ainda é muito melhor do que eu até na hora de montar a cama, pendurar a TV na parede e fazer outros reparos domésticos. Talvez seja a minha hora também de “lean in” e vencer algumas barreiras.

*Rafael Lisbôa é jornalista e está estudando na Columbia University, em Nova York




aforismo

Sabedoria é fazer o que se gosta.
Mais sabedoria é gostar do que se faz.

domingo, 17 de março de 2013



EMBALSAMADOS
         
         Os faraós tinham seu corpo embalsamado, certamente para continuarem a ser glorificados após a morte e assim, passarem a ilusão de imortalidade. Os tiranos modernos, como Lênin, Stalin,  Kim Il Sung, Kim Jung II, também receberam o mesmo tratamento, quando isso foi possível. Perón mandou embalsamar sua  Evita,

         Hugo Chávez seria embalsamado para descansar em paz junto a outros heróis latino-americanos, como Simon Bolívar. Entretanto, essa operação fracassou, como tudo que se relacionou com o final de vida de Chávez.

         Pelo que se depreende, não foi possível embalsamar o caudilho porque ele morreu bem antes da morte oficial, provavelmente em Cuba, durante um procedimento cirúrgico e seu corpo já estava putrefato. Para a encenação de seu velório, o corpo foi substituído por um boneco, parcialmente encoberto.

         Isso explicaria o gesto de Cristina Kirchner, preparada para fazer um discurso de despedida. Com a visão do “cadáver”, mudou de ideia e voltou para a Argentina. Também explica a rápida estadia de Dilma, com Lula a tiracolo, que também foi prantear o amigo Hugo.



sexta-feira, 15 de março de 2013




Coma de Dominguinhos é irreversível, 

diz jornal



Segundo informações do Blog do Play, do jornal Diário de Pernambuco, o quadro de Dominguinhos, que está internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o coma em que o cantor está há quase três meses é irreversível.
A informação foi divulgada pelo filho do músico, Mauro da Silva Moraes. Ele disse que no mês passado, o médico do pai no Sírio-Libanês falou que o coma não tinha mais volta, que estava caminhando para um coma vegetativo. 
Segundo ele, Dominguinhos faz alguns movimentos, como apertar a mão, mas os médicos disseram que é involuntário.
Dominguinhos luta contra um câncer no pulmão há sete anos. Ele foi internado no dia 17 de dezembro com pneumonia e chegou a sofrer oito paradas cardíacas.

quinta-feira, 14 de março de 2013


AS ESTATAIS NÃO TEM JEITO


Carlos Alberto Sardenberg, O Globo
Não é por nada, não, mas se a gente pensar seriamente na história recente da Petrobras, sem paixões e sem provocações, vai acabar caindo na hipótese maldita, a privatização.

A estatal teve bons momentos, colecionou êxitos, acumulou tecnologias e formou quadros. Mas, sempre que isso aconteceu, não foi porque se tratava de uma estatal. A companhia foi bem sempre que agiu como petrolífera, digamos, normal, quase independente.

Já quando foi mal, como vai hoje, a causa é evidente: a condição de estatal.

Radicalizando, poderia se dizer que, quando a Petrobras funciona, consegue isso apesar de ser estatal. Mas todos sabemos que há petrolíferas estatais muito bem-sucedidas pelo mundo afora.

Como também há outras simplesmente desastrosas, e, como a própria Petrobras alternou períodos positivos e negativos, a questão é: como uma estatal pode fracassar?

A resposta está diante de nossos olhos. Trata-se do pecado mortal da politização, que se manifesta de duas maneiras complementares: a nomeação de diretores e chefes não por sua competência e sua história na empresa, mas pela filiação política ou sindical; e a definição dos objetivos e meios da empresa não por análises econômicas, e sim pela vontade dos governantes e das forças políticas no poder.

Não é preciso pesquisar nada para se verificar que a Petrobras caiu nesses dois buracos nos governos Lula e Dilma. A disputa pelos diversos cargos da companhia tornou-se pública, com os partidos e grupos reclamando abertamente as posições de que se julgavam merecedores. Lula, em entrevista formal, contou o quanto interferiu no comando da estatal, levando-a a ampliar projetos de investimentos claramente incompatíveis com as possibilidades da empresa e as condições do mercado.

Foi a atual presidente da Petrobras, Graça Foster, quem admitiu o irrealismo daqueles planos. E também o ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo, Haroldo Lima, reconheceu que a vontade de Lula prevaleceu sobre os argumentos técnicos na definição das regras para a exploração do pré-sal.





O PAPEL NÃO ESTÁ MORTO



http://vimeo.com/61275290#t=39


domingo, 10 de março de 2013




Jorginho Guinle
               
     Jorginho Guinle nunca trabalhou na vida. Também não precisava. Sua família era proprietária do Copacabana Palace. Como tinha tempo e charme, foi faturando as deusas de Hollywood enquanto hospedavam-se no Copa. Também faturou outras moças menos votadas, no intervalo.

Viveu sustentado pelos pais até a morte deles. A partir daí, fez um cálculo do tempo de vida que lhe restava e dividiu sua herança pelos anos faltantes.

        Mas a vida foi madrasta com Jorginho Guinle. Ele acabou vivendo mais do que o tempo que previra e ficou pobre. Pobre para um Guinle, naturalmente. Foi salvo por amigos que o ampararam financeiramente durante o resto de seus dias.

        Com isso conseguiu chegar à morte condignamente. Nada como ter ricos amigos ricos.




Chávez
        
          Hugo Chávez dizia que o seu próprio câncer, o de Cristina, Lula e de Dilma eram resultado de uma conspiração da CIA. Então, Chávez morreu, levando o segredo da conspiração com ele.

        Resta saber quando Chávez morreu. Entretanto, esse é um assunto que interessa principalmente aos venezuelanos, porque impacta sobre a maneira como que serão governados. Para nós, latino-americanos, fica um alerta. Temos que fazer um exame de consciência sobre os perigos do atraso, com base na tragédia pessoal de Chávez.

        Hugo Chávez, embora o mistério que cerca as causas de sua morte, deve ter morrido de um prosaico câncer de próstata. Essa doença, atualmente, tem fácil remissão, se for tratada logo no início e, mesmo em estágios avançados, permite que o paciente tenha boas chances de sobrevida, tendo em vista que esses cânceres são de desenvolvimento lento.

        Aí voltamos ao atraso. Chaves, talvez por machismo, não se submeteu a exames de próstata que, incluem, necessariamente, toque retal. Se o câncer avançou, Hugo Chávez poderia ter procurado outros locais de tratamento. A Venezuela tem íntimas relações comerciais com o Estado Unidos. Seu comércio exterior é de 80% dependente da América. As relações diplomáticas com o Brasil e Argentina são excelentes, graças à bobagem do mito bolivariano.

        Tanto nos EUA como no Brasil e Argentina existem centros de excelência de tratamento oncológico. Chávez foi tratar-se na ilha da fantasia. Deu no que deu. 

quarta-feira, 6 de março de 2013




Aula de História

Circula na internet reprodução do diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV, entre 1643 e 1715, na peça teatral Le Diable Rouge, de Antoine Rault:

Colbert: - Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…

Mazarino: - Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas, vai parar à prisão. Mas o Estado é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!

Colbert: - Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?

Mazarino: - Criando outros.

Colbert: - Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino: - Sim, é impossível.

Colbert: - E sobre os ricos?

Mazarino: - Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert: - Então, como faremos?

Mazarino: - Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável. É a classe média!

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 5 de Março de 2013.

terça-feira, 5 de março de 2013




O galã de Cacequi revisitado

Ele usava calça azul marinho social, com boca muito estreita, camisa branca, também social, porém sem casaco e gravata, apenas aberta no peito. Os sapatos eram pretos, bico fino, provavelmente de camurça.

Grande topete formado pelos cabelos pretos e crespos, besuntados de brilhantina. Alguns tinham o cabelo trespassado atrás, o que chamávamos de 
“mão dada”.

Assim era o galã de Cacequi. Certamente aquela era a única vida social que tinha.

Bons tempos!

Falta uma crônica sobre o almoço em Cacequi. Serviam uma sopa tão quente, que quando a terminávamos de beber, o trem já iria partir. Assim o restaurante economizava o resto da refeição.





O banquete do mendigo


Lembro-me bem dos meus cinco anos de idade, quando morávamos na rua Barão do Amazonas, em Alegrete, onde meu pai tinha um armazém na esquina com a David Canabarro.

Nossa casa tinha entrada principal pela Barão e um grande portão na outra rua.

Ao lado da entrada principal da casa existia um terreno baldio, com uma paineira gigante ao fundo.

Debaixo dessa árvore vivia o Ordalho, um morador de rua, como hoje se diz. Tinha seus cinquenta anos, mas parecia ter muito mais idade, alquebrado que estava pela vida dolorosa ao relento.

Não usava roupas, mas sacos de aniagem envoltos no corpo, o que lhe facilitava a constante micção, oriunda de problemas na bexiga.

Os pais ameaçavam seus filhos, dizendo que iriam entregá-los ao Ordalho, nos casos de desobediência infantil. Ele era, injustamente, chamado de “o homem do saco”, que levava criancinhas para fazer mingau…

No entanto, era uma pessoa muito dócil.

Sob o teto acolhedor da grande árvore ele havia feito um lar improvisado: um velho sofá que lhe servia de cama e um fogão feito de pedras empilhadas. Nesse fogão ele cozinhava seus alimentos em uma grande lata de querosene de vinte litros.

O pátio interno de nossa casa dava acesso, sem cercas, ao mundo de Ordalho, que era meu fascínio.

Seguidamente eu me evadia de casa e, furtivamente, ia visitar meu amigo. Ele me tratava com muita doçura, me presenteava com santinhos, grilos em vidrinhos e cigarras amarradas em barbantes. Nem de leve fazia jus ao título de ogro que lhe conferiram.

Certa vez, ele me convidou para compartilhar do seu banquete: tripas cozidas na lata de querosene.

Não tive dúvidas em aceitar tamanha deferência e me atraquei nas tripas do Ordalho, cujo sabor permanece até hoje em meu paladar, como um acepipe digno de reis. Esse congraçamento repetiu-se várias vezes.

Numa das vezes, minha mãe me surpreendeu em pleno banquete e, a partir desse dia, não consegui mais pular as cercas que colocaram entre meu mundo e o dele…

Obrigado pelos banquetes, Ordalho!

Erion Renato Pozzobon



YOANI   

Como tentaram de toda maneira não deixá-la falar, o caso ganhou fama e divulgação muito maior que se esperava, para desespero dos nossos governantes amigos dos irmãos Castro de Cuba.

  Dizem que quando ela chegou na imigração no Brasil, Yoani foi questionada, principalmente sobre sua procedência.

Respondeu em portunhol :

"Jo soy de una isla ao nuerte que es gobernada hace mas de 50 años por la miesma familia".

Aí os agentes da PF ficaram tranquilos e disseram:

 
"Pode deixar ela entrar. Ela é de São Luís, Maranhão."

obrigado, Erion

segunda-feira, 4 de março de 2013






VIVA O GÊNIO 2
         
        Aquilo que intui no artigo Viva o Gênio, acaba de ser confirmado pela ciência. A revista Época desta semana traz matéria que mostra que estudos do cérebro humano botaram por terra o princípio de Sigmund Freud, de que o inconsciente é reprimido pelo consciente. Na verdade, o inconsciente é o dono da festa. Chegou-se a essa conclusão através de estudos biológicos. A parte consciente, que ocupa 10% do cérebro não pode sozinha, processar todo o material que circula por ali. São quantidades imensas de sinapses por segundo, congestionando o tráfego do consciente que, nesse momento, é salvo pelo inconsciente.

         Por isso, vivemos sob o mando do inconsciente. A ideia de que controlamos nossa vida é pura ilusão.

         Assim, aquele desejo de matar nosso próximo é mais real do que imaginamos. O que nos segura, a nós, brasileiros, do crime, são freios sociais e legais e a ausência de um instrumento de matar disponível. Isso, em parte, explica crimes em sequência, nos Estados Unidos. Lá, eles têm acesso a todo o tipo de arma de fogo. Ponto para a campanha de desarmamento brasileira. Porque boa parte dos homicídios é causada por motivos fúteis, sob o efeito de álcool ou outras drogas.

         Então é isso. Somos motivados por paixões egoístas e cruéis. Por isso mata-se tanto e se pratica tanta crueldade. A tecnologia ajuda no morticínio. Antes, para abater um inimigo era preciso brandir uma pesada espada, ensopando-se de sangue e correndo o risco de também ser morto.

         Hoje assassinamos inimigos à distância de milhares de quilômetros, sentados confortavelmente em uma poltrona. A tecnologia fez justamente isso, nos afastar de maneira conveniente da pessoa que vamos matar.

         Finalmente, a surpresa das surpresas. 0 estudo demonstrou, também, que é o inconsciente que é evolutivo e não o consciente. Isso nos dá alguma esperança.  Talvez em um futuro distante nosso inconsciente passe a se comportar mais civilizadamente. E, com isso, nosso desmoralizado consciente corra atrás.






Delfim

         Conta-se que as seguintes pérolas foram pronunciadas por Delfim Netto, ministro da fazenda de governo militar, quando inquirido sobre transferência de renda:

“Precisamos primeiro fazer o bolo crescer para depois dividi-lo”.

“Primeiro instaura-se o faroeste e depois se contrata o xerife”.

“Governo para quarenta milhões de brasileiros. Os outros oitenta virem-se com Deus”.

         O suposto autor dessas frases é o consultor favorito do presidente da república que fez a maior transferência de renda na história deste país.




domingo, 3 de março de 2013







O comportamento coletivo do brasileiro é sempre um enigma. Interpretar cenários no Brasil constitui importante desafio para qualquer analista. Talvez por isso, Tom Jobim, com sua longa vivência no exterior, tenha afirmado: “O Brasil não é para principiantes”.

Maynard Marques de Santa Rosa é General de Exército na reserva.







O galã de Cacequi


Nos tempos da minha juventude em Alegrete, a maneira mais fácil de se chegar a Porto Alegre, senão a única, era ir de trem. A famosa VFRGS (Viação Férrea do Rio Grande do Sul ou Vovô FoiRoubar Galinha Sozinho, dos ingênuos trocadilhos da época), estava no auge. Seus trens serviam o estado de maneira intensa, indo e vindo de Porto Alegre a Uruguaiana, passando por Alegrete, entre tantas outras cidades. Era quase uma epopeia ir de Alegrete a Porto Alegre. Tomava-se o trem que vinha de Uruguaiana pela manhã, viajava-se o dia inteiro até Santa Maria, onde era preciso fazer uma baldeação para outro trem. Depois, viajava-se a noite inteira para chegar a Porto Alegre de manhã cedo, no dia seguinte.


Uma das estações onde o trem parava era a de Cacequi, grande entroncamento ferroviário da época.


Era uma estação imensa para os meus olhos interioranos.


Na sua plataforma desfilavam figuras incríveis, apressadas em pegar outros trens.


Na multidão de viajantes apareciam também alguns habitantes da pequena cidade, que iam ver a única atração do local: a chegada de um trem.


Alguns rapazes da cidade vestiam sua melhor roupa para apreciar o grande espetáculo da multidão de viajantes.


Entre eles, podia-se notar sempre um tipo que usava melena bem cuidada, com bastante fixador (Glostora? Gumex?), camisa de mangas compridas, mangas dobradas, levando sempre um rebenque, daqueles revestidos de linhas coloridas, feitos por presidiários. Nós, jovens modernos, que escutávamos Paul Anka e Elvis Presley no Telefone Pedindo Bis da Rádio Bandeirantes de São Paulo, logo o apelidamos de “Galã de Cacequi”. O tipo desfilava olhando para dentro dos vagões estacionados, na esperança de despertar a atenção de alguma moçoila curiosa. Batia o rebenque nas coxas, numa demonstração de que era o senhor do pedaço. Esse tipo fez escola, pois cada vez havia mais galãs.


Que saudade da VFRGS e das horas que passava vagando de vagão em vagão, embalado pelo barulho cadenciado das rodas do trem sobre os trilhos!


Ela fez parte da minha história, da minha caminhada em direção ao mundo.


“Caminho de ferro, mandaram arrancar…”, como diz Milton Nascimento em “Ponta de Areia”.

Erion Renato Pozzobon

sábado, 2 de março de 2013


OLHA AÍ O CIRO (CIRCO)!


No começo desta semana, logo depois de abalar as fundações dos barracos do PSB (seu partido) ao criticar ferinamente o governador Eduardo Campos, pretendente forte a candidato presidencial ano que vem, o esquentado ex-governador do Ceará e ex-ministro dos governos de Itamar Franco e de Luís Inácio Lula da Silva, Ciro Gomes, pousou na capital baiana soltando labaredas pela língua e pelo nariz.

Enquanto o governador petista da Bahia, Jaques Wagner, ainda jogava panos quentes na tentativa de amainar as feridas aberta pelo político cearense nas relações PT-PMDB, Ciro, antes de fazer palestra em um encontro com empresários na Bahia, reforçou e ampliou ainda mais as críticas de dois dias antes.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail vitor_soares1@terra.com.br




  VIVA O GÊNIO

Quando Dr. King Shultz propõe a Django, após libertá-lo,  dividir com ele os lucros de sua atividade, caçar e matar foragidos da justiça, o recém-alforriado escravo diz: -Matar brancos e ainda ganhar dinheiro com isso? Pode contar comigo!

Ficção? Ou nossa vida afetiva não passa de um filme de Quentin Tarantino, em que as disputas são resolvidas à bala ou de outras maneiras mais sofisticadas de matar?

Tenho um vizinho jovem, certamente, que, como um pavão gosta de exibir suas plumas, necessita mostrar a todos que tem uma moto. Por isso, passa os dias esganiçando o motorzinho de 125 cilindradas, atazanando o sossego de todos. Sonho com a possibilidade de derrubá-lo com uma calibre doze, quando passa.

Falei com um amigo, que me visitava, e ele propôs algo mais eficiente e, por que não dizer, mais poético? Substituir a carabina por um fio de arame, estendido na rua, na altura da garganta do barulhento.

Tudo é fantasia, mas qual a distância desta fantasia para a realidade?

Talvez exista uma parte de mim que se irrita porque meu território, o acústico, foi invadido pelo rapaz.

Já pensaram que passamos quase toda nossa vida a exercitar nosso bang bang interior, lutando por territórios?

Quando um empregado em empresa, pública ou privada, fala mal de um colega para o chefe, ele não está querendo ficar mais próximo e receber bênçãos do macho (ou da fêmea) alfa e ampliar seu próprio território?

Meninas pobres de doze ou treze anos andam com vestido curto e apertadíssimo, na rua ou em casa. Certamente querem atrair machos que as engravidem. Do ponto de vista humanista cristão, isto é uma tragédia, pois estão colocando no mundo inocentes que não terão as mínimas condições de sobrevivência.  Do ponto de vista antropológico, estão certíssimas. Isso é poder, o poder da perpetuação da espécie. Atraindo machos que as protejam, ganharão seu próprio território.

Quando o a polícia civil, militar, federal e a marinha começaram a ocupar os morros cariocas, para melhorar a imagem do Rio de Janeiro por ocasião da copa e das olimpíadas, não pretendiam acabar com o tráfico e sim desalojar os traficantes. Sim, a invasão nos morros não passou de uma luta por territórios.

Os líderes árabes fundamentalistas querem destruir o ocidente porque, segundo ele, o ocidente é composto de pervertidos, que não seguem as determinações de Maomé. No entanto, muçulmanos lutam contra muçulmanos. Tem lógica? Tem. As lutas fratricidas não passam de ancestrais lutas tribais por território.

Os palestinos martirizam-se explodindo na frente dos judeus que, por sua vez, armam expedições punitivas quando são mortas centenas de pessoas inocentes. Alegam diferenças religiosas. Não acredito. A religião muçulmana tem muito mais identidade com a Torá do que divergências. Afinal, os princípios de Maomé foram tirados, na sua maioria, do Antigo Testamento, que, por sua vez, baseou-se em lendas e contos pagãos muito mais antigos. Esses povos devem estar lutando por território.

Durante a guerra fria, Estados Unidos e União Soviética se digladiaram e quase destruíram a humanidade por questões ideológicas. O cidadão americano dizia: “prefiro ser uma democrata morto que um comunista vivo”. Nesse caso, havia disputa ideológica, porque ela significava diferentes concepções de vida. Mas subjacente à disputa ideológica, havia disputa territorial pelas nações envolvidas.

Voltando à nossa questão inicial, citei situações que simplesmente, são extensões da fantasia que, individualmente, criei. Muitas vezes o inconsciente e o consciente comportam-se como num filme de Tarantino.

E não é genial um diretor que consegue  traduzir sentimentos básicos de toda a humanidade?