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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013




breve introdução à história da estupidez humana
 

        Quando eu era pequeno, recebi um dos maiores presentes que um pai pode dar a um filho: o acesso à sua biblioteca. A biblioteca era uma sala com estantes nas quatro paredes, preenchidas com livros de alto a baixo.

        Ali, naquele espaço, aprendi quase tudo que sei sobre ciência, filosofia, música, artes plásticas, sexo e sensualidade. Aprendi quase tudo que sei sobre a vida.

        De todos os livros, havia um que eu considerava um dos mais intrigantes. Era um calhamaço com letras miúdas, denominado “Breve Introdução à História da Estupidez Humana”.  Passava horas examinando aquele texto, em eram descritos erros absurdos, muitas vezes cometidos por pessoas esclarecidas, como cientistas e outras.

        Bem mais tarde, depois de formado em arquitetura, recebi cursar Engenharia de Segurança, em nível de especialização. Era matéria interessante, por estudar as relações de trabalho e segurança e, principalmente, pela ênfase que dava à prevenção de acidentes.

        Considerando a quantidade absurda que havia em acidentes de trabalho, principalmente na construção civil, área ligada à minha formação básica, considerei que seria uma atividade de futuro promissor.

        Que decepção!  Com raríssimas exceções, nenhum empresário queria gastar com segurança. Argumentavam que isso não os preocupava, porque havia mão de obra abundante e, em caso de acidente, a previdência oficial cuidava  dos mortos e mutilados. Alguns engenheiros de segurança se davam bem, indo trabalhar em indústrias, nas quais prestavam outro tipo de atividade. Com isso, os empresários cumpriam a legislação. A lei exigia um engenheiro de segurança para um determinado número de funcionários. O resto era maquiagem para burlar a fiscalização do Ministério do Trabalho.

        Essa tragédia em Santa Maria indica que nada mudou neste país, depois de tantos anos. O comandante do Corpo de Bombeiros, em entrevista, candidamente, disse que, embora sem alvará, a casa de shows tinha proteção contra incêndio, porque havia extintores instalados. Mas como, comandante, extintores que ninguém sabia usar? E a falta de brigada de incêndio, a falta de providencias específicas para a apresentação de uma banda  que usa fogo nos seus espetáculos, a falta de materiais não transmissores de chama e, principalmente, a falta de saídas de emergência, todas providências constantes em Normas Técnicas? E a prevenção, comandante?

        Comandante, a maioria dos jovens mortos sucumbiu por ter sido pisoteada e por inalação de fumaça tóxica. Morreram de acordo com a legislação?

        Tragédia anunciada! Santa Maria, cidade universitária. Eta, paisinho!

2 comentários:

  1. Muito bom! Mas a culpa não é do "´paisinho". É do povinho que o habita!

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  2. Quando eu era guri, diziam que no Brasil a natureza é tão pródiga que, à noite, refaz tudo que os brasileiros destroem durante o dia.
    Obrigado pelo comentário

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