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sábado, 24 de março de 2012




PORQUE GOSTO DE SER RETRÔ


Carlos Drummond de Andrade disse que após os 70 anos, pode-se dar uma banana para o mundo. Ótimo. Como me faltam apenas um ano e meio para esta data, já estou praticando, com prazer, o gesto.
Cansei de tentar ser moderninho, tentando acompanhar a última moda na música, no cinema, nas artes plásticas. Cansei porque essa é uma atividade extremamente cansativa. Quando estamos dominando algum novo movimento, já aparece outro. E tudo recomeça. Os modismos se sucedem com cada vez maior rapidez.
Federico Fellini dizia que um dos maiores problemas da atualidade é o da hiper comunicação. Falou isso nos anos 70. Imaginem se vivesse hoje!
Refugio-me em alguns lugares do passado. Vivo bem lá, as coisas são tranquilas, sem sobressaltos.
Vejo filmes cujas cenas são lentas, pausadas, imagens como um quadro de Matisse. Nada de cinema fliperama. Assisti a um filme de Akira Kurosawa (Trono Manchado de Sangue) cuja lentidão é um exercício para nossa paciência. Curto filmes de Alfred Joseph Hitchcock (meu tocaio, descobri agora), cujo suspense é organizado e cerebral. A cor preferida é P&B.
A propósito, no trânsito urbano, ando sempre pela direita, o lado de quem não quer ser incomodado. Geralmente, dessa maneira, chego antes, embora isso não tenha a menor importância.
Alimentação é um ritual de provar, com calma, o sabor dos alimentos que, na minha idade, podem e devem ser ingeridos em quantidades cada vez menores É o slow food, dentro da slow life.

Ouvir música é um capítulo à parte. Nada de Adele, ela vai ser substituída logo, como foi a coitadinha da Amy Winehouse. Ouço jazz, que é eterno. Experimentem o prazer de ouvir, por exemplo, Take the A Train, de Billy Strayhorn, com a Nikki Yanofsky. Ou assistir, em DVD, “A Concert of SACRED MUSIC At Grace Cathedral”, com o imortal Duke Ellington. Deliciem-se ouvindo o CD de Susannah McCorkle todo com músicas de Cole Porter. Ou a voz poderosa de Dee Dee Bridgewater, cantando blues de raiz. Ou a maravilhosa inglesa Jane Monheit cantando música brasileira de Tom, Marcos e Paulo Valle e Ivan Lins, com encantador sotaque lusitano. Ou ainda, Ray Charles, no Olimpia de Paris, em um de suas últimas apresentações. Ou Dina Washington, ou Sarah Vaughn, ou Ella Fitzgerald, ou Jamie Cullum, ou Melody Gardot...

Escuto, sempre, rock’n’roll, com Brenda Lee, Jerry Lee Lewis, Little Richard e Chuck Berry, ou mesmo, John Lennon.

E, por fim, nada, mas nada mesmo, de televisão e jornal. Alienação é fundamental.

 

 


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