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sábado, 24 de março de 2012




SOBRE A FINITUDE DA VIDA E TUDO QUE DAÍ VEM


Fomos educados para acreditar que a vida tem um sentido. Esse é um princípio religioso que norteia todos os credos que existem. Desde o início da história da humanidade, os homens procuram uma razão para sua existência.  
O nascimento de Cristo, que é a representação da maternidade, gesto importante na trajetória humana, é estrutural para a religião cristã. Essa encenação aparece também em outras religiões orientais, algumas bem mais antigas do que a cristã.
A morte de Cristo, em suplício, também tem representações semelhantes.
Esses dois acontecimentos, nascimento e morte, têm ocupado os seres humanos desde o início de sua história. O mistério do nascimento, assim como a dimensão brutal do encerramento da existência, com o fim da história individual das pessoas, tem assustado os homens (e mulheres) desde que eles tomaram consciência de que existem. É a velha indagação, de onde viemos e para onde vamos.
Essas preocupações procuram colocar a espécie humana dentro de um critério lógico, racional. Afinal, somos ou não somos racionais? Dentro desses critérios, para todo o efeito, tem de haver uma causa.
Inicialmente, essas indagações foram respondidas com a criação deuses representados pelos fenômenos naturais. Afinal, eram eles que provocavam catástrofes, com sofrimento e mortes. Mais tarde, por uma questão de síntese simplificadora, foi criado o monoteísmo, que é a base das religiões atuais. Os sistemas filosóficos, mesmo os não embasados em religião, também tem sua estrutura na questão de causa e efeito. Assim, a civilização, principalmente a ocidental, criou duas formas de pensamento: a procura da verdade revelada (religiosa) e a da verdade prospectada (filosófica). Os dois pensamentos, entretanto, continuam baseando-se na velha lei de causa e efeito.
Ultimamente, talvez em função de novas relações propiciadas por tecnologias de informação, tem aparecido alguns pensadores, que poderíamos chamar de neo ateus, ou neo agnósticos, por falta de outra denominação, que perguntam se essas questões religiosas e filosóficas não estarão limitadas ao cérebro das pessoas.
E se os fatos concretos não obedecerem às leis de causa e efeito? Se todo o funcionamento da natureza obedecer a outros princípios ou mesmo não obedecer a princípio nenhum?
Essa é uma idéia atraente. Por consequência dela, todo um pensamento preconceituoso, que já dura milhares de anos, poderia ser jogado para o lixo da história. Os seres humanos, despreocupados com as questões do início e do fim, poderiam ocupar-se com coisas mais interessantes, como viver plenamente essa existência, que, afinal, todos sabemos que está aí.


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