coloque aqui seu e-mail para seguir este blog

sexta-feira, 29 de março de 2013





as mulheres conquistam também a América

Quando cheguei a Nova York há menos de um mês, comemorava-se o Dia Internacional da Mulher. Coincidência ou não, nestas minhas três semanas por aqui, elas não saem das primeiras páginas de jornais. Mulheres que já fizeram história ou estão em vias de marcar época.

Logo nos meus primeiros dias em solo americano, um único rosto estampava capas de revista, sites e programas de televisão: a toda-poderosa Sheryl Sandberg, COO (ou Diretora de Operações) do Facebook. Eleita pela "Forbes" a 10ª mulher mais poderosa do planeta e disposta a inspirar outras mulheres a trilhar o mesmo caminho do sucesso, ela lançou no início do mês o livro “Lean In: Women, Work and the Will to Lead” (que no Brasil sairá com o título “Faça Acontecer - Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar”). Nas mais de 200 páginas e também na sua organização sem fins lucrativos de mesmo nome do livro, Sheryl convoca as mulheres a “lean in” (inclinar-se), isto é, tomarem para a si as rédeas de suas carreiras e serem heroínas da sua própria história.

A nº 2 do Facebook destaca que, apesar dos avanços com a revolução feminista, a igualdade de gênero no mercado de trabalho ainda está muito longe da realidade e cabe às mulheres não se conformarem com o preconceito de muitas empresas, deixarem de lado o papel de vítimas, vencerem as inseguranças e conquistarem seu espaço. Segundo Sheryl, algumas dessas barreiras internas que acompanham as mulheres ao longo da vida são reforçadas na infância. Por isso, ela aproveitou uma entrevista dada ao programa “60 minutes”, da CBS, para mandar um recado às futuras gerações: “Eu quero que toda garotinha que costuma ser chamada de mandona passe a ouvir, em vez disso, que ela possui desde cedo capacidade de liderança”.

Certamente capacidade de liderança é o que não falta a Christine Quinn, a presidente da Câmara de Vereadores de Nova York que se lançou há 15 dias como candidata à prefeitura da cidade mais importante do mundo. Pesquisas mostram que, com 37%, ela é a favorita entre os Democratas para concorrer pelo partido à cadeira ocupada há três mandatos por Michael Bloomberg. Se o favoritismo de Christine se cofirmar nas urnas em novembro, os novaiorquinos terão pela primeira vez uma prefeita mulher – e gay, diga-se de passagem.

Se ainda é preciso esperar alguns meses para testemunhar o resultado das eleições na Big Apple, outra americana já foi responsável por um feito inédito esta semana. Julia Pierson acaba de ser empossada como a primeira mulher a chefiar o Serviço Secreto dos EUA – um espaço dominado 90% por homens. A agente de 53 anos, nascida na Flórida, foi escolhida por Barack Obama para comandar a agência que é responsável por sua proteção pessoal, a do vice-presidente e de suas famílias.

E mesmo o cargo mais poderoso do planeta pode ser ocupado em breve por uma mulher. Em 2016, os Estados Unidos podem eleger pela primeira vez uma presidente. Mesmo sem confirmar ainda se vai realmente entrar na disputa, Hillary Clinton – ex-secretária de Estado, ex-senadora e ex-primeira-dama – surge como favoritíssima nas pesquisas para chefiar a nação.

Caso a Sheryl Sandberg lesse este meu texto (quanta pretensão a minha!), ela poderia argumentar que ainda falta muito: apenas 22 dos 197 chefes de Estado são mulheres e apenas 21 das 500 maiores empresas mundiais têm liderança feminina. Mas não há como negar que mudanças importantes estão acontecendo e desenhando uma nova configuração nos Estados Unidos, em outras partes do mundo e até aqui em casa. Eu sempre soube que a amiga com quem divido o apartamento em Manhattan era uma profissional de comunicação extremamente bem-sucedida e uma chef talentosa. Mas o que tenho descoberto é que, além de tudo, a minha 'roommate' ainda é muito melhor do que eu até na hora de montar a cama, pendurar a TV na parede e fazer outros reparos domésticos. Talvez seja a minha hora também de “lean in” e vencer algumas barreiras.

*Rafael Lisbôa é jornalista e está estudando na Columbia University, em Nova York

Nenhum comentário:

Postar um comentário