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quinta-feira, 6 de setembro de 2012



blogue do zeca



Ah! Essas esquerdas!

Durante minha juventude, escutava sempre o mesmo mantra: o capitalismo é um regime agonizante, o mundo encaminha-se para o socialismo, a história está a nosso favor.

Os teóricos do socialismo argumentavam que o grande mal do Brasil era a espoliação da sociedade brasileira pelo capitalismo selvagem internacional, orquestrado pelas multinacionais.

Havia uma tira em quadrinhos mostrando o Zé Brasil, um pobre brasileiro que durante o seu dia, desde a escovação de dentes matinal até o último gesto, antes de dormir, utilizava produtos fabricados por multinacionais.

Veio a ditadura militar e as esquerdas foram demonizadas. Grandes teóricos, como Celso Furtado, Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso sofrem perseguição do governo. A “inteligência” brasileira protestou.

O mundo mudou, os regimes comunistas caíram, ser esquerdista passou de moda. Agora, podemos olhar aqueles tempos desapaixonadamente.

Os problemas do Brasil foram mesmo causados pelas multinacionais?

O Zé Brasil, se não escovasse os dentes com escova e pasta de dentes produzidos por multinacionais, provavelmente não escovaria os dentes, considerando que o país não possuía indústria nacional. O resultado seria que os brasileiros, uma população de desdentados, teriam sua situação piorada.

Os militares odiavam qualquer tipo de pensamento independente. Para eles, a educação e a cultura cheiravam à subversão porque estavam ligados à liberdade de expressão. Durante o governo militar, Cassandra Rios, uma escritora pornográfica, foi perseguida pela censura, teve seus livros cassados e morreu esquecida. Mas ninguém da esquerda a defendeu.  Argumentavam que era má escritora. Mas má escritora não tem direito de escrever?

Vamos introduzir um exemplo fora de nossas fronteiras. A Coréia do Sul, há quarenta anos, tinha renda per capita menor do que a do Brasil. Fez maciços investimentos em educação e a uma geração de iletrados sucedeu uma geração com formação técnica altamente especializada e outra geração com ensino superior, mestrado e doutorado. É um dos países onde são registradas mais patentes no mundo.

A Coréia do Norte fez a experiência comunista que os jovens brasileiros sonhavam. Deu no que deu, uma tirania que passa de pai para filho, com a população famélica, vivendo em um grande campo de concentração.

Então o problema não é ideológico, mas sim de educação. Um povo instruído será vitorioso com qualquer regime. E este é um ponto em que, no Brasil, esquerdas e regime militar juntaram-se as mãos. Ambos desprezaram a educação.

Quando as esquerdas tomaram o poder no Brasil, por via do voto, o operariado foi endeusado, como em um bom e antigo romance comunista. Mas quem quer ser operário? As condições em uma indústria são difíceis, penosas e até insalubres. Muito mais fácil é ganhar a vida prestando serviços, uma atividade mais gratificante, criativa e com tempo de trabalho flexível, do que sofrer oito horas diárias em uma fábrica. Entretanto, a prestação de serviço é atividade de país desenvolvido, que exige educação. A da indústria nem tanto.

Por que, então, as lideranças do Brasil, de esquerda e de direita desprezam a educação?

A resposta está mais recuada no tempo. Desde o tempo do Brasil colonial, a ignorância do povo foi arma de manobra dos poderosos. O analfabetismo facilitava a exploração do trabalho urbano, industrial, comercial e doméstico, enquanto, no campo, permitia aos grandes proprietários de terras tratarem seus empregados e agregados em regime de semiescravidão.

A situação presente melhorou, e muito, considerando a terrível situação do Brasil na educação. Mas os esforços no sentido de erradicar a ignorância são tímidos e desconexos, como se a amarrados, ainda, a nossas arcaicas tradições.







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