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domingo, 9 de setembro de 2012


blogue do zeca


seu José
       
Detesto ser chamado de “Seu José”. Parece nome de dono de botequim. Infelizmente, isso começou a acontecer depois que atingi certa idade, talvez quarenta anos, não  lembro ao certo. Apesar de pedir para não ser chamado assim, parece que as pessoas mais jovens precisam me dar esse tratamento.

        O tratamento de “senhor” me parece ser uma demonstração de preconceito, tipo tu és diferente de mim, por ser idoso, por isso vou manter distância, te chamando de senhor.

        A comunicação poderia funcionar assim: um namorado de minha filha mais nova me chamava de tio. A partir daí, era tu para cá e tu para lá. Tudo bem.

        Tive um sócio, argentino, mais velho que eu, que, uma vez, disse que era tão íntimo de um juiz, para quem prestava serviços como perito judicial, que já se “tutiavam”. Perguntei a ele que isso significa e ele me informou que era tratar-se por tu.

        Bem, talvez a questão de tratamento seja uma coisa mais complexa. Me dei conta que chamo de senhora a uma tia mais velha. Talvez isso a incomode como incomoda a mim.

        Tenho pensado nessa questão. Lembrei-me que quando tinha dezesseis anos, participava da minha turma uma pessoa tão mais velha que nós não entendíamos que graça ela achava de conviver conosco. Afinal esse nosso amigo era um idoso, tinha vinte e sete anos.

        Vamos transpor essa situação para agora. Já fui jovem. Sei que ser jovem e idoso é exatamente a mesma coisa, em termo de comportamento (claro que fisicamente há algumas diferenças). Entretanto, tenho consciência de algo que nenhum jovem tem. Sei o que é ser idoso. Essa é a diferença. Um jovem, repito, não consegue pensar como um idoso, por mais que queira. Eu consigo pensar como jovem. Já vivenciei esta experiência, ele não.

        Então, “Seu José”, vamos ser mais tolerantes para com as diferenças.



4 comentários:

  1. seria então "professorar" tornar-se idoso antes do tempo? sou chamada de senhora por meus alunos, mas o curioso é que só da rede pública de ensino, pois os da rede particular não usam esse tratamento... a primeira vez que ouvi foi um choque, mas hoje percebo como um forte sinal de respeito. abraço pro "Seu José"

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  2. ¨Seu¨José, muito bom seu texto. Um abração para o sr.....

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  3. Oi, grávida

    Fizeste um acréscimo importante no assunto. As classes de maior poder aquisitivo são também mais avançadas em relações humanas. As de menor poder são mais conservadoras. Certamente por isso, na escola pública, as crianças te tratam como senhora, como devem tratar seus pais, em casa. Quando falei do guri que me tratava por tu, estava falando de uma pessoa de família que tinha alto poder aquisitivo.

    Grande abraço

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