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quarta-feira, 29 de agosto de 2012


blogue do zeca


O poder das empresas
tornou-se um risco global

O diretor da revista Foreign Policy afirma que o gigantismo das corporações e o enorme poder político amealhado por elas subvertem as regras da democracia.


Entrevista: David Rothkopf, revista ÉPOCA, 13/08/2012, (trechos).


– Os governos nacionais não conseguiram manter o ritmo de crescimento enquanto as multinacionais cresciam?


Os governos cresceram também. Mas mesmo o maior dos governos enfrenta limites nos gastos discricionários à sua disposição. Uma economia como a da Suécia tem menos recursos disponíveis que uma empresa como a (petrolífera americana) Exxon Mobil, cujo faturamento anual é comparável ao PIB sueco. O orçamento do governo sueco é dirigido principalmente para os direitos da população. O dinheiro que se gasta em diplomacia é menor do que a Exxon gasta globalmente com relações públicas. O número de países em que a Exxon atua supera o número de países em que a Suécia tem embaixadas. Em parte, essas mudanças são devidas à evolução tecnológica, à globalização, às exigências das novas economias. Mas também se devem à influência política acumulada por essas empresas e usada para bloquear regulamentações globais e mecanismos dos Estados-nação para contrabalançar as concentrações do poder privado.


ÉPOCA – O senhor fala em “diferentes tipos de capitalismo”. Qual poderia ser o sucessor do modelo americano?


O fim da guerra fria não encerrou o debate sobre o sistema ideal para alcançar justiça social e oportunidade econômica, apesar de livros e artigos dizerem o contrário. Nas duas décadas seguintes ao fim da guerra fria, diversas modalidades de capitalismo surgiram: o capitalismo “com características chinesas”; o capitalismo democrático de desenvolvimento das grandes economias emergentes, como Brasil e Índia, que têm de equilibrar as necessidades de mercado com as sociais; o capitalismo de pequenos mercados empreendedores, encontrado em Cingapura, Israel e Emirados Árabes Unidos; o eurocapitalismo. Cada um é diferente na maneira de equilibrar o poder público e privado ou de lidar com as necessidades da comunidade contra as do indivíduo. Todos são diferentes do capitalismo anglo-americano, porque eles têm um papel maior para o governo como garantidor de um jogo justo, como um provedor dos serviços essenciais. Mesmo com todos os problemas da Europa de hoje, muitos países do norte europeu têm maiores taxas de criação de emprego do que os EUA. Têm também menos desigualdade, maior crescimento industrial, melhores tratamentos de saúde, melhor educação, mais gastos para pesquisa e desenvolvimento, maior qualidade de vida que os americanos. E fazem isso com mais responsabilidade fiscal que os EUA. Para mim, portanto, o sistema deles funciona melhor que o americano.


Intervenção minha: Esse discurso não é mesmo das esquerdas brasileiras de anos atrás, “mutatis mutandis”?



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