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sábado, 21 de abril de 2012

blogue do zeca

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Marshall Mcluhan & Mark Zuckerberg - o que eles têm em comum, além das três primeiras letras de seus nomes.

Quando estava na faculdade, havia dois grandes grupos: os ideólogos da mudança social e os ideólogos da comunicação. 


       Os ideólogos da mudança social, de esquerda, dividiam-se nos que pregavam a luta armada e seguiam os preceitos de Marx e os que viam a luta de classes através de um viés intelectual. Estes últimos eram leitores, primeiramente, de Erich Fromm e Sartre e, mais tarde, de Herbert Marcuse.


Os ideólogos da comunicação viam os meios de comunicação como novos caminhos para o desenvolvimento da sociedade. Suas referências eram Marshall Mcluhan e Humberto Ecco. Para esses “comunicadores”, o vocabulário incluía, sempre, termos como semiótica, semiologia, continente, conteúdo e “o meio é a mensagem” (ou massagem).

Havia, ainda, um pequeno grupo de extrema direita. Esses não eram movidos por ideologia, mas por oportunismo.


O intelectual mais popular de todos, no entanto, era Mcluhan. Sua previsão de que, com o desenvolvimento das redes de televisão (nesta época já havia um incipiente sistema de comunicação por satélite), o mundo viraria uma aldeia global, encantava a gurizada que sonhava com uma sociedade mais moderna. 


A aldeia global previa um futuro em que não existiriam culturas regionais, mas apenas uma que, provavelmente, seria a cultura de Tio Sam. Esse mundo já tinha sido visualizado no romance de Ray Bradbury em que todos seriam comandados por sistema de enormes TVs controlando tudo. Nesse mundo, os livros seriam destruídos, por serem subversivos. 


Havia uma fragilidade na teoria de Mcluhan. Para que se desenvolvesse uma genuína aldeia global, os conhecimentos teriam de ser de mão dupla. Teriam que ir e vir, como numa grande autoestrada.


A Internet veio convalidar a previsão de Mcluhan. Com ela, os conhecimentos universalizaram-se.


Aí aparece a segunda figura de nosso artigo. Como desdobramento da Internet, apareceram as redes sociais. Elas foram a revolução dentro de outra revolução. A cultura da rede social é tão importante que foi batizada a expressão “web.2” para ela.


O face book foi a rede social que sobrepujou todas as outras. Seu criador, Mark Zuckerberg, está bilionário. A fortuna de Zuckerberg cresce dia a dia com as informações que os usuários do face book, graciosamente, postam para ele.


O face book tornou-se o que de mais próximo poderíamos considerar como aldeia global. As pessoas, hoje, comunicam-se, instantaneamente, em escala planetária.


O conteúdo das postagens no face book, posso arriscar, compõe-se basicamente de obviedades e assuntos rasos. Assim, confirma-se também a previsão do livro de Ray Bradbury. Os livros estão sendo queimados, agora, por desnecessários.  

2 comentários:

  1. Impressionante a tua capacidade de analisar os fatos com olhos de cientista social, com a perspicácia dos historiadores!
    Essas observações que fizeste sobre Marshall Mcluhan & Mark Zuckerberg são ótimas.
    Matou a pau quando observaste que a Internet veio completar o que faltava à teoria de Mcluhan, na época: ..."os conhecimentos teriam de ser de mão dupla."
    Realmente, o "Farenheit 451" é agora. A Internet está tornando (queimando) os livros desnecessários.
    Grande sacada! Parabens pela sagacidade intelectual!

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