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segunda-feira, 23 de abril de 2012

blogue do  zeca



O DEMÔNIO INTERIOR

Vindo de Alegrete, cheguei a Porto Alegre cheio de planos e com toda a bagagem ética que trazemos do interior. Logo vi que as coisas aqui eram diferentes.

Os ambientes de estudo e trabalho geriam-se por outros critérios. A mais valia era a competição desenfreada e sem escrúpulos. Para piorar, em meu primeiro emprego tive um gerente sádico. Ele usava minha ingenuidade para me massacrar.

Comecei a passar mal, psicológica e fisicamente. Para não pirar (ou fugir para o Alegrete), inscrevi-me em um grupo de terapia. Como garantia, o coordenador do grupo era um psiquiatra alegretense, o Dr. Moises Roitmann. Mais tarde, faria quatros anos e meio de análise freudiana, com o Dr. Alberto Abuchain. Parei por falta de fôlego financeiro.

A terapia fez efeito.

Mais tarde, já estabilizado, tive cachumba. Fiquei uma temporada em isolamento. Nessa ocasião, recebi frequentes visitas do amigo Paulo Bergamaski. Como nós dois tínhamos tempo à vontade, ficávamos conversando e filosofando.

Uma ocasião, o Paulo disse que me invejava porque eu mantinha o “bicho” preso, ali a meu lado. Entendi que o bicho era meu demônio interior e gostei da imagem que Paulo usou.

Anos mais tarde, o Paulo suicidou-se com um tiro na cabeça. Acho que não conseguiu manter o bicho dele preso, como gostaria.

Os tempos mudaram. Hoje, poucas pessoas tem a disposição de ficarem dez anos ou mais remexendo em seus sentimentos mais íntimos. Além disso, os psico fármacos, muito desenvolvidos, trazem alívio imediato para os males da alma.

Continuo convicto que a psicanálise, essa viagem profunda aos nossos mais recônditos sentimentos, essa verdadeira reeducação, é mais honesta do que a simples ingestão de drogas, mas é um posicionamento meu e que se encontra cada vez mais isolado.







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