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segunda-feira, 2 de abril de 2012






TADEU FEZ QUARENTA ANOS

O book aí em cima é de meu amigo Tadeu. Ele, recentemente, fez quarenta anos. Bem, todo mundo faz quarenta anos. Mas o Tadeu é um caso especial. Ele é alcoólatra em último grau. Ele mesmo reconhece que é um sobrevivente.

Tadeu começou a beber ainda adolescente. Nestas condições, ele não conseguiu estudar, não trabalha. Mora em um casebre com sua mãe. Tadeu tem um filho, com 15 anos, também alcoólatra. Tadeu cata lixo reciclável ou recebe auxílio dos vizinhos.

Incrivelmente, com a vida difícil que tem, Tadeu é uma pessoa finíssima. É bem humorado, brincalhão. É incapaz de pressionar alguém para obter comida ou dinheiro. Quando pergunta se tenho uma moedinha, diz que é para comprar cachaça. Quando tem fome, não pede dinheiro, pede comida.

Tadeu é um mendigo ou “barbone”, como se diz na na Itália. É incrível como vive com quase nada. Certamente não lerá este artigo, a não ser que eu o imprima e leia para ele. Ele não tem carro, não tem computador, não tem celular, não viaja, não usa roupa de grife. Usa apenas andrajos.

Tadeu disse-me que tinha tentado parar de beber, mas enfrentou uma tremedeira insuportável e foi obrigado a retomar ao vício.

Informei-me sobre a possibilidade de livrá-lo da bebida. Tadeu teria que ser internado, até passar da fase crítica do vício e, posteriormente, precisaria seguir um “hospital dia” até o organismo livrar-se da dependência. Se parasse de beber sem acompanhamento, certamente morreria.

Falei tudo isso para ele. Já tinha feito essa experiência, mais de uma vez, mas sempre alguém lhe ofereceu bebida, quebrando sua resistência.

Tadeu não vai viver muito. Talvez não faça quarenta e um anos.

Mas Tadeu é uma pessoa digna. Me comove a luta de Tadeu para manter-se digno.

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